A Ad Age publicou nesta semana a lista das 20 marcas mais quentes dos Estados Unidos em 2026. O oitavo ano consecutivo do ranking traz nomes como Grillo's Pickles (picles artesanais), Dutch Bros Coffee (cafeteria de drive-thru), Nuuly (aluguel de roupas), VS Pink (moda jovem da Victoria's Secret) e NeeDoh (um brinquedo de apertar que virou fenômeno no TikTok).
O que une marcas que vendem picles, café, roupas, moda praia e brinquedos de borracha? A resposta está no critério que a própria Ad Age usou para selecioná-las: marcas que cresceram ouvindo o consumidor antes de falar.
Os dados mostram que cada uma dessas marcas tem uma história de feedback transformado em produto. A NeeDoh, por exemplo, virou febre porque os criadores viram crianças apertando massinha de modelar e perceberam que havia ali um desejo não atendido por uma textura específica. A Dutch Bros construiu um atendimento onde o barista aceita qualquer pedido, por mais inusitado que seja, porque entendeu que os clientes buscavam liberdade de escolha em vez de um cardápio enxuto.
O padrão é claro: essas marcas provocaram uma conversa, participaram dela e transformaram o que ouviram em produto. O oposto do que a maioria das grandes marcas faz, que é definir o produto primeiro e depois tentar convencer o consumidor a gostar dele.
Quando uma marca pequena ouve e age rápido, o resultado é um ciclo virtuoso: o consumidor se sente parte da criação, vira embaixador, gera conteúdo orgânico, atrai mais consumidores. A Grillo's Pickles, por exemplo, construiu uma base de fãs fazendo colaborações inusitadas (picles com sabor de pizza, pickles com pimenta) que nasceram de sugestões de clientes nas redes sociais. O resultado: uma marca de picles artesanais competindo com a Vlasic e a Mt. Olive em visibilidade nacional.
O que a Tulejur identifica diariamente nos setores que analisa é que esse padrão (ouvir antes de falar, transformar o que ouviu em estímulo, calibrar pela resposta) é o mesmo que separa marcas que ocupam conversas de marcas que apenas ocupam mídia. O tamanho da marca determina o volume, mas a direção do crescimento é determinada pela escuta. Uma multinacional com orçamento de bilhões pode gastar tudo em mídia e continuar perdendo participação se estiver falando sozinha.
As 20 marcas mais quentes dos EUA em 2026 cresceram porque ouviram melhor, gastaram em comunicação de forma secundária. A pergunta que fica para qualquer CMO é: sua marca está ouvindo o que realmente importa ou apenas monitorando o que já sabe?
